O que é um clube de colecionadores?

Ter dinheiro e gostar de uma obra são pontos importantes para se tornar um colecionador. Mas, até começar a adquirir obras únicas (ou seja, que tem apenas uma edição), comprar trabalhos de galerias renomadas, ou saber se vale ou não dar um lance num leilão, existe um exercício constante: estudar os artistas e suas práticas; entender se o valor pedido por um trabalho é realmente compatível; pensar em montar um acervo que tenha consistência…É para começar a testar esta prática de colecionismo – e torna-la mais compatível com seu bolso e seu tempo – que existem os clubes de colecionadores:

Casa na árvore, brinco, meião de futebol, elemento vazado, de 2017, serigrafia de Monica Nador (Foto: CCAC)

ESPERE A CAMPAINHA TOCAR

Um clube de colecionadores é uma assinatura. Ela dá direito a receber determinadas obras em casa, que são feitas em edição limitada, são numeradas e vêm acompanhadas por um certificado de autenticidade (ou seja, que aquela obra é original e assinada por um artista). Nesse sentido, adquirir a um grupo de obras acaba saindo muito mais barato do que comprar uma só. O investimento financeiro mais acessível também dá mais liberdade para testar o gostinho de ser um colecionador: gosto deste tipo de prática? Ter obras em casa desperta em mim maior interesse pela arte? Me agrada ter um trabalho pendurado na minha parede ou prefiro mesmo vê-la num museu? As reflexões podem ser várias e, no fim, fica o prazer da campainha tocar de quando e quando, e um novo trabalho chegar até você.

Leia mais: Quem dá o valor de uma obra de arte?

CHEGA UMA OBRA PARA CHAMAR DE SUA

O CCAC (Clube de Colecionadores de Arte Contemporânea) acaba de ser lançado e ele funciona assim: a associação pelo site na 1a edição do clube dá direito a obras assinadas por três artistas – Monica Nador (@monicanador), Nazareno Rodrigues (@nazarenorodrigues) e Tiago Tebet (@tiagotebet). Eles foram convidados pelo clube para produzir obras especiais numa tiragem de 50 edições. São artistas já conhecidos e representados por outras galerias: na curitibana SIM Galeria, por exemplo, um trabalho da Julia Kater pode ser mais caro do que adquirir todas as obras do clube. É uma troca: você não escolhe as obras que vai querer – diferentemente de comprar na galeria, onde você também pode adquirir obras de menor tiragem – mas pode ter o trabalho de um artista por um preço mais acessível.

ABRA A PORTA PARA DROGAS MAIS PESADAS

O intuito dos clubes não se limita a formar o gosto pelo colecionismo. Mas, a aproximar a arte contemporânea de pessoas interessadas mostrando que ter uma obra em casa não é coisa de outro mundo. O clube apresenta novos artistas, promove conversas, oferece visitas a exposições em museus e galerias (no caso do CCAC, além destas visitas, a adesão dá direito ainda a ser um Amigo Masp). Isso também é um trabalho didático e de formação de opinião. E a chance de você se viciar é bem grande!

Leia mais: Roupas discos e utilitários feitos por artistas: os “colecionáveis” são obras de arte?

MUSEU TAMBÉM TEM!

O MAM (Museu de Arte Moderna) tem os clubes de fotografia e gravura mais tradicionais de São Paulo. No caso de instituições como essas, aderir a um clube significa ajudar na manutenção do museu – em troca, a pessoa que aderir ainda ganha visitas às exposições, cursos, catálogos e descontos em restaurante, loja, entre outros. A ideia é manter pessoas que ajudam o museu mais próximas ainda de suas programações. Durante a semana da SP-Arte/Foto/2018 (que acontece de 23 a 26 de agosto, no Shopping JK Iguatemi), será possível ver as obras do MAM que fazem parte da edição atual do Clube de Fotografia.

Assista: Fotografias que fazem uma obra existir