O artista que criou um time de futebol: conheça o incrível Maurizio Cattelan

Em plena Copa do Mundo, vale comentar que tem gente que acredita futebol ser uma arte (o que eu não discordo), e também outras pessoas que transformam o esporte em obra de arte – caso do Maurizio Catellan. Em 1991, ele criou um time só seu. Numa cidade próxima a Bolonha, ele viu vários imigrantes do Senegal na rua e perguntou se eles gostariam de jogar futebol. Deu o nome ao time de Southern Suppliers FC, algo como fornecedores vindos do sul, que remetia ao uso do mão-de-obra imigrante e barata na Itália. Maurizio também criou uma marca patrocinadora do time, chamada RAUSS, a palavra alemã para “fora”, ou “vão embora”, que estampava a camisa do time. Ele fazia uma critica aos italianos xenófobos. O time era, na verdade, uma performance, mas acabou jogando em campeonatos nacionais em todo o país como se fosse um time real! (E perdeu…)

O PAPA E O METEORO

É com bastante ironia e tiração de sarro que o italiano Maurizio Catellan sustenta uma das obras mais celebradas atualmente. Em suas esculturas hiperrealistas retrata a si mesmo em situações de autodepreciação, como dentro de um caixão em seu próprio funeral ou com a cabeça saindo do chão de uma exposição como se fosse um intruso da própria mostra.

Na polêmica A Nona Hora, fez uma réplica de cera do papa João Paulo II sendo atingido por um meteoro e se agarrando a sua cruz, em busca de apoio físico e espiritual. Assim, ele satiriza comportamentos imorais da igreja católica, assim como constrói uma crítica à própria arte, que se tornou uma forma de culto. Afinal, este trabalho só pode chegar a valer milhões se assinado por alguém como ele. Se estivesse numa vitrine de loja, porém, seria difícil ser notada.

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CEMITÉRIO DOS VIVOS

Capa de livros como Sete dias do mundo da arte (não deixe de ler esse livro da Sarah Thorton!), a instalação feita com corpo de cavalos que passaram pelo processo de taxidermia e estão presos na parede como se tivessem saltado de cabeça na sua direção é um símbolo da arte contemporânea. É como se eles estivessem fugindo do perigo e, para isso, optassem se matar. O humor negro também está em obras como Eternity, que será apresentada em formato de cemitério, em Buenos Aires, no mês de setembro. Maurizio fez uma chamada pública para que artistas construam lápides de pessoas que gostariam de ver mortas.

ATÉ TRUMP ENTROU NA JOGADA

Ele conseguiu colocar o Guggenheim no fogo cruzado com o presidente americano. Foi assim: em 2016, Maurizio Catellan fez uma privada de ouro para o museu nova-iorquino. O nome sugestivo da privada? America. É uma homenagem ao mictório de Marcel Duchamp, que formou filas durante todo o ano de pessoas querendo usar o banheiro público. Nesse período, Trump teve a infeliz ideia de pedir ao Guggenheim o empréstimo de uma pintura de Van Gogh. Mas a curadora-chefe do museu não só negou o pedido como ofereceu em troca a privada de ouro para a Casa Branca.

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ELE ARREBENTA NAS MÍDIAS SOCIAIS

É divertidíssimo acompanhar o Instagram @mauriziocattelan, o perfil de um post só.  Ou entrar no site Made in Catteland. E tem mais: em 2010, ao lado de Pierpaolo Ferrari, o artista fundou a revista Toilet Paper Magazine (@toiletpapermagazineofficial), uma publicação maluca de imagens e incrivelmente bem feita.