Começa a Verbo: por que você deve participar do festival de performance

Quando te digo que o calendário de julho das artes visuais tem como um dos seus pontos altos um festival de performance, não pense num galpão abandonado cheio de gente esquisita em meio a uma fumaça cenográfica nem num palco ocupado por longas apresentações nas quais alguns gritos periódicos te despertam do sono. A Verbo é um espaço para experimentação – uma das características primordiais dessa linguagem – mas não deixa de ser generosa com seu público.

Entre os dias 3 e 7 desse mês, o evento oferece um passeio pelos vários tipos de performance que acontecem simultaneamente na Galeria Vermelho. O visitante fica o quanto quiser em frente a cada uma delas, pode conversar com o amiguinho, bater papo com artistas e ainda tomar uma cerveja e ficar para o bochicho. Não é com palavras, mas com atos, que a Verbo mostra que a performance pode ser simples, compreensível e uma alavanca para entender a arte e o mundo de outra maneira:

Mulher-Espinho, de Julha Franz, na Verbo de 2017 (Foto: Julia Flamingo)

“PERFORMANCE É TIPO UM TEATRO”

Ela pode ser apresentada em forma de solo ou em grupo, com iluminação, música e elementos visuais. Mas, ao contrário do teatro, o performer é o artista e não um personagem, como acontece com os atores. O conteúdo de uma performance raramente segue um enredo ou uma narrativa tradicional: ela é uma experimentação que acontece durante o momento em que está sendo apresentada. Por isso, coisas surpreendentes podem rolar.

Saiba mais: “O que faz de um artista um artista?

“PERFORMANCE É ESQUISITO DEMAIS PRA MIM!”

A performance é uma maneira de dar vida a ideias formais e conceituais e sempre foi usada como uma arma contra convencionalismos. Por isso, falar que uma performance é diferente de tudo o que você já viu é um elogio. Ela é um jeito de se dirigir diretamente para uma grande plateia (e a chocar!) para que ela reavalie suas concepções de arte e possa enxergar o mundo de maneira diferente.

“SÓ QUEM SABE MUITO DE ARTE ENTENDE PERFORMANCE”

A performance é escolhida por alguns artistas como a expressão para articulação da diferença. Não existe nenhum povo que não tenha rituais, danças ou modos de representação e nenhum ser humano que não reconheça tais manifestações do corpo. Por isso, ela está mais próxima do que você imagina. Assim como toda a arte contemporânea, a performance fala sobre o contexto em que vivemos. Será, então, que ela é tão difícil assim de entender?

“PERFORMANCE NÃO DÁ DINHEIRO”

A verdade é que é difícil um artista viver da sua própria produção, seja ela pintura, instalação ou videoarte. É claro que a performance é ainda menos vendável. Mas, pasme: já tem gente (ou instituição) que adquire performances. No Brasil, o MAM, comprou a primeira delas em 2000. Intitulada Homem=Carne/ Mulher=Carne, é assinada pela mineira Laura Lima, que chama seus trabalhos de imagens em movimento (leia aqui minha matéria sobre a artista para a Harper’s Bazaar). A aquisição nada mais é do que um papel que registra o direito do colecionador de ativar a performance.

PROGRAME-SE

A 14a edição da Verbo acontece entre os dias 3 e 6 na Galeria Vermelho e no dia 7 do Galpão VB. Como a performance é um tipo de expressão super maleável e sem muita limitação (por sua própria natureza, ela desafia uma definição precisa), o evento nunca teve uma temática. Neste ano, porém, seu diretor artístico, Marcos Gallon, decidiu que vale discutir temas como extremismo político e religioso e preconceito de raça e gênero. Confira aqui os horários das apresentações e aqui as descrições que incluem registro de performance em fotografias e videoarte.

Saiba mais sobre videoarte: assista ao vídeo “Bill Viola inaugura o Sesc Avenida Paulista