Prêmio PIPA: por que ele merece a sua atenção

Existem diversas maneiras de um artista ser reconhecido: ganhar uma grande individual numa instituição, vender suas obras como água, ser enaltecido por um curador de peso. Mas, nem sempre ele ganha a glória que merece. Também têm os poucos, porém esperados prêmios, que mostram o reconhecimento de uma instituição sobre determinada produção, podem aumentar a popularidade de um artista frente ao público e, mais do isso, conferem um prêmio em dinheiro (são pouquíssimas as exposições que financiam a participação de artistas). Mais importante deles, o Prêmio PIPA anunciou, na última sexta (15), os quatro finalistas da edição de 2018: conheça seus trabalhos e entenda por que você deve ficar de olho neste prêmio. Também tem a aposta do BIGORNA para o seu grande ganhador!

Frame do vídeo Faz que vai, de 2015, assinado por Bárbara Wagner, ganhadora do Prêmio PIPA 2017, e Benjamin de Burca

FINALISTAS MERECEDORES

O carioca Arjan Martins  (@arjanmartins) faz telas figurativas em que traz imagens da colonização, seus desdobramentos e  personagens negros para sua pintura contemporânea, como se quisesse dizer: “a situação continua a mesma”. Ele foi um dos grandes destaques da SP-Arte/2018, já que uma de suas obras foi doada para o acervo da Pinacoteca.

O também carioca Eli Sudbrack (@assumevividastrofocus) tem um trabalho menos politico e mais colorido – até um tanto psicodélico. Ele assina suas obras como assume vivid astro focus, ou avaf, que dá a liberdade para trabalhar sozinho ou em coletivo. Suas obras são espalhadas por ambientes imersivos.

Romy Pocztaruk, de Porto Alegre, tem um trabalho bem consistente em fotografia ao retratar lugares que algum dia foram projetos utópicos. Como ela fala de fracassos, Romy usa uma estética fria e distante. Um exemplo é a investigação que ela fez na Fordlândia, cidade esquecida às margens do rio Tapajós que, na década de 1920, foi palco de um projeto de Henry Ford: ali, ele construiu uma fábrica de borracha, além de uma cidade para os trabalhadores e suas famílias. Não demorou para que o projeto se tornasse um fracasso.

Por fim, a também carioca Vivian Caccuri (@viviancaccuri) foi revelação da 32a Bienal, em 2016, com o trabalho TabomBass, uma instalação sonora produzida depois de uma incursão na música afro-brasileira. Vai para ela a aposta do BIGORNA como grande ganhadora do prêmio. Atualmente, Vivian participa de uma mostra paralela na Bienal de Berlim, na ifa-Galerie, uma individual em Carlsbad, nos Estados Unidos, e irá participar, a partir de dezembro, da Kochi-Muziris Biennale, na Índia, ao lado de nomes beem fortes. Suas obras sonoras têm uma forma bem particular, trazem públicos diferentes para o espaço de arte (na Bienal, ela fez algumas baladas como ativações do seu trabalho) e são sustentadas por uma pesquisa aprofundada dos sons e suas reverberações históricas e sociais.

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PARA FICAR POR DENTRO

Ficar atento às indicações do Prêmio PIPA significa acompanhar os artistas mais badalados do momento, já que a premiação se propõe a dar a temperatura da produção do país. Os ganhadores das últimas edições foram nomes como Bárbara Wagner (leia aqui minha matéria na revista Carbono Uomo sobre o trabalho da artista ganhadora da edição em 2017, e sua dupla, Benjamin de Burca), assim como Paulo Nazareth (2016) e Virgínia de Medeiros (2015). Todos têm pesquisas originais e curiosas e fazem bastante sucesso internacional. A lista dos indicados anualmente (apenas este ano foram 71) ganha perfis no site do PIPA, com vídeos feitos pelos próprios profissionais, que explicam de maneira bem acessível sobre suas obras. É uma das maneiras mais simples e confiáveis de conhecer e se informar sobre os nomes que mais fazem sucesso atualmente.

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