Instalação: porque os ambientes construídos por Carlos Garaicoa fazem valer sua exposição

Uma instalação é uma obra que combina o uso de diferentes suportes. Pintura escultura, video, desenho podem estar misturados num só trabalho. Mas, também, uma escova de dente, uma peça de roupa, um vaso, um sofá e o que mais você imaginar. Uma das grandes sacadas da arte contemporânea é apropriar-se de um objeto comum, dando a ele um novo significado: a instalação permite esta recombinação.

A ideia é oferecer ao espectador daquela obra vários estímulos diferentes – às vezes até acionando mais do que um sentido – e oferecendo mais do que apenas um tipo de informação. Os objetos também ganham uma percepção escultórica que antes não tinham.

Fim do silêncio, de Carlos Garaicoa, no Espaço Cultural Porto Seguro (Foto: Julia Flamingo)

Dependendo do seu tamanho, uma instalação pode virar um cenário ou um ambiente imersivo é isso o que Carlos Garaicoa explora em seus trabalhos. O cubano que vive na Espanha produz obras que falam sobre a complexidade das cidades. Provavelmente, por sua própria cidade-natal, Havana, ser tão única quando comparada a outras capitais do mundo, ele tem um olhar apurado quando o assunto é arquitetura, ocupação e uso de espaços públicos.

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INSTALAÇÃO SONORA

Em Partitura, na exposição Ser Urbano, no Espaço Cultural Porto Seguro, ele montou uma instalação em que 38 suportes carregam partituras que mais parecem desenhos, além de Ipads com gravações feitas ao longo de 10 anos nas cidades de Madrid e Bilbao. Os vídeos mostram músicos de rua tocando os mais diferentes instrumentos, cujos sons se pode ouvir com fones de ouvido. Desse jeito, ele mostra como a música é um tipo de ocupação muito particular dos espaços e de que maneira ela interfere no ambiente e nas pessoas que passam por ele. Não só o conteúdo, mas a montagem da instalação, transformam também a maneira como circulam e reagem os visitantes da mostra. Corre lá: a exposição fica só até 6 de maio.

PARA ENTRAR, PISAR E SENTIR

Fim do Silêncio é o nome de outra instalação de Garaicoa no Espaço Cultural Porto Seguro, que reproduz o chão em frente às lojas de Havana. São vários tapetes nos quais o visitante é convidado a pisar, além de dois vídeos gravados nos locais. Ele também fala sobre ocupação dos espaços, desta vez levando o ambiente urbano para dentro do museu (veja na foto acima). Em 2017, no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, a instalação Yo nunca he sido surrealista hasta el día de hoy criava um ambiente enorme com grama sintética, algumas árvores e muitos (muitos mesmo!) postes de luz, de energia e faróis de rua. Todas as luzes acendiam e apagavam em ondas, como se Garaicoa criasse uma instalação que estivesse viva e respirando.

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