Dalton Paula é o único brasileiro na Trienal do New Museum com direito a residência. E o que é uma residência exatamente?

O brasiliense Dalton Paula (@dalton_paula) foi, durante muitos anos, bombeiro durante a semana e artista aos finais de semana. Ele explodiu na SP-Arte de 2016, aos 34 anos, quando o estande da Sé Galeria rachou de vender suas peças. No mesmo ano, participou da 32a Bienal de São Paulo com a série Rota do Tabaco (assista ao vídeo que fiz na época para a Veja São Paulo em que Dalton comenta sobre a obra). Num salto internacional, Dalton é um dos trinta artistas convidados – o único brasileiro – a participar da Trienal do New Museum, que fica em cartaz em Nova York até 27 de maio. O convite também envolveu uma residência no AnnexB. Mas, o que significa participar de uma residência artística? Como ela contribui para uma exposição? O que um artista faz durante esse período?

Pintura da série Rota do tabaco, de Dalton Paula, criada para a 32ª Bienal, em 2016, e exposta na Carbono Galeria (Foto: Julia Flamingo)

Os benefícios de uma residência já começam com a distância. Dalton Paula, por exemplo, passou grande parte de sua vida em Goiânia. Ao ter uma oportunidade de vivenciar uma cidade cosmopolita como Nova York, é inevitável que sejam despertadas novas inspirações e referências ao longo de suas andanças.

É UM LUGAR PARA MORAR?

Uma residência artística não necessariamente inclui um lugar para morar, comer ou dormir. Ela tem diversas formas: pode ser desde um espaço de ateliês coletivos até uma fazenda num lugar distante que mais parece um resort. A residência também intitula esse período de pesquisa em que o artista sai da sua zona de conforto para enfrentar novos desafios da sua produção. Na maioria das vezes, o artista é convidado, ganha um prêmio ou bolsa ou viaja como um investimento da galeria que o representa.

Existem diversas residências as redor do mundo, que propõem programas para que artistas de todo o mundo se encontrem e dialoguem. Eles também trocam figurinhas com curadores e, dependendo do quão completa for a programação, podem até ser apresentados para colecionadores locais e agitadores culturais.

OBRAS COMISSIONADAS

É comum que artistas sejam convidados a fazer residências no período que antecede bienais, feiras ou exposições para produzirem os chamados trabalhos “comissionados”, ou seja, obras inéditas financiadas por uma instituição ou uma galeria para serem apresentadas num evento específico. Isso permite que o artista crie a partir da identidade, da cultura e das questões sociais e políticas locais.

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RESIDÊNCIAS NO BRASIL

Em São Paulo, as residências mais famosas são: FAAP, Red Bull Station, Casa Tomada, Pivô e Casa do Povo. Estes espaços oferecem programas periódicos com ateliês e uma programação de encontros e oficinas. Em outras partes do Brasil, é legal citar o Instituto Sacatar, em Itaparica, na Bahia; Labverde, na Amazônia (inscrições abertas!); e o Parque Lage, no Rio de Janeiro, apesar de existirem muitas além dessas. Estes espaços normalmente abrem editais para inscrições, em que os artistas enviam currículos de trabalhos já realizados e propostas de projetos a serem desenvolvidos durante o período de pesquisa.

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