Símbolo da arte postal, Paulo Bruscky expõe até no Pompidou, em Paris. Que tipo de arte é essa mesmo?

A arte pode estar em qualquer lugar, mesmo se for em classificados de jornal, cartões postais, cartas ou xerox. É isso no que acredita o recifense Paulo Bruscky que, aos 68 anos de idade, está ganhando todo o reconhecimento que merece tanto dentro como fora do Brasil. Ele criou esse tipo de veiculação da arte para passar despercebido durante a ditadura militar e fazia humor com anúncios. Em um deles, por exemplo, vendia uma máquina de filmar sonhos em preto e branco ou colorido.

Instalação Poema Amassado, na Galeria Nara Roesler, em 2017 (Foto: Sofia Saleme)

Para ele, a arte e a vida andam juntos, por isso as performances dele são feitas a qualquer hora e lugar. O recifense usa objetos banais como fotocopiadoras, tubos de serpentina e até eletrocardiogramas para mostrar que todos podemos fazer arte. Em 2017, em sua exposição na Galeria Nara Roesler, que o representa no Brasil, ele disponibilizou um xerox e vários adereços para que o público fizesse cópias divertidas de sua própria imagem. Ele também colocou uma pilha de revistas que o visitante podia rasgar e literalmente arremessar num monte de papeis amassados (estou fazendo isso na foto acima). Com isso, ele questiona a função da arte, que não deve ser um troféu intocável, mas uma ação acessível.

POLÊMICA NA BIENAL DE VENEZA

O Paulo foi um dos cinco artistas selecionados para participar da última Bienal de Veneza, em 2017. Óbvio que ele não perderia a oportunidade de polemizar. Ele montou uma performance chamada Arte Embala como se quer, em que ele e seus assistentes colocaram roupas de carteiros e chegaram na Bienal em uma gôndola repleta de caixas. Suspostamente, as caixas embalavam obras que seriam reveladas quando chegassem no local destinado a elas. Mas, o Paulo simplesmente as arrumou uma em cima da outra, de maneira que elas deixassem aparente o adesivo “Arte embala como se quer” (aqui, a embalagem, no caso, é o propósito da arte). Com isso, ele fez uma crítica ao papel social da arte contemporânea: ela não deve servir ao mercado e, sim, às pessoas.

No Centro Georges Pompidou, em Paris, ele participou da exposição coletiva O Olho Escuta, que até o último mês de abril.

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