Como funcionam as galerias de arte?

Quem quer ficar por dentro do que acontece na arte contemporânea, deve incluir as galerias no roteiro de visitas. Estes espaços têm como prioridade a venda de obras, é claro, o que faz muita gente passar longe delas. Mas, seu papel vai muito além do interesse econômico. Elas são, também, locais de fomento à cultura e de experimentação: é por elas que passam desde artistas iniciantes em suas primeiras exposições até nomes celebrados que aproveitam o suporte da galeria para fazer acontecer suas mais mirabolantes ideias.

Exposição Dentro o que existe fora, de Lydia Okumura, na Galeria Jaqueline Martins, em 2017 (Foto: Julia Flamingo)

TIME DE ARTISTAS

A maior preciosidade das galerias são seus artistas. Depois de criar um perfil para seu espaço, a galeria escolhe a dedo cada um dos nomes que irá representar. A galeria tem como principal papel o de vender trabalhos desse artista para coleções particulares e institucionais. Elas têm programas anuais de exposições, que podem ser individuais e coletivas, em que todas as obras apresentadas estão à venda. Além disso, a galeria dá suporte para possíveis inscrições em residências e editais, arquiva e documenta trabalhos e pode financiar a produção de obras. Em troca, o artista paga 50% do valor da venda de cada trabalho para a galeria.

Assista ao vídeo: “Qualquer pessoa pode frequentar uma galeria de arte?”

BENEFÍCIOS PROS DOIS LADOS

Galeristas normalmente são muito bem conectados e podem, facilmente, fazer a ponte entre colecionadores e seus artistas. Estes, por sua vez, passam a fazer exposições na galeria que o representa, o que lhe dá mais visibilidade: seu trabalho pode ser visto por curadores, críticos e colecionadores, aumentando suas possibilidades de trabalho. As galerias também levam obras dos seus artistas para feiras internacionais. Sem essa conexão, a vida do artista é bem mais complicada caso ele queira fazer carreira.

GALERIAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS

O mercado se divide em dois tipos de galeria. As primárias são as já mencionadas nesse post: elas representam artistas e ganham em cima da venda das suas obras. As secundárias não representam artistas, mas trabalham com a revenda de obras. Os seus agentes são os marchands e leiloeiros, que recebem obras de coleções privadas ou institucionais e intermediam a venda. As casas de leilão e os escritórios de arte são os principais protagonistas do mercado secundário.

O PAPEL CULTURAL DAS GALERIAS

No Brasil, onde os museus não têm lá um caixa muito saudável, as galerias acabam tendo um papel institucional. Elas dão suporte para o artista poder experimentar. A vida cultural de São Paulo (onde existem mais de duzentas galerias) deve muito a elas por ter um cenário de arte tão diversificado e um calendário de exposições tão ativo. A entrada nas galerias é sempre gratuita e suas exposições normalmente são organizadas por curadores convidados.

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