Quem dá o valor de uma obra de arte?

Um dos assuntos mais fascinantes e polêmicos no que concerne a arte contemporânea é o mercado: os valores que as obras podem atingir são muito chocantes! De que maneira, um trabalho aparentemente descomplicado para você pode chegar a ter o preço de um carro ou de um apartamento? Que fique claro: o gosto pessoal não é prioridade quando o assunto é mercado de arte. Além dos fatores comuns que fazem oscilar a economia nacional e internacional de qualquer nicho, este mercado depende de outros balizadores específicos:

Obra Sem título, do polonês Frans Krajcberg, em exposição de 2017, na Galeria Frente (Foto: Julia Flamingo)

1. LEILÕES

As vendas feitas em leilões são públicas. Por isso, depois de uma briga num pregão por essa ou aquela obra, todo o cenário de arte tem acesso ao valor dos arremates. Então, o efeito é dominó: se uma galeria vende a obra do mesmo artista por menos do que ela vale no leilão, a galeria irá aumentar seu preço. No Brasil, quem compra obra em leilão, normalmente é um colecionador particular.

2. PARTICIPAÇÃO DO ARTISTA EM COLECÕES INSTITUCIONAIS

Para integrar coleções de museus – seja porque a instituição efetivamente compre a obra ou porque ela receba doações – o artista normalmente já está num patamar mais estabelecido. Ou seja, ele não é um artista iniciante e já integra o time de uma galeria respeitável. Uma vez com uma obra num museu, o artista ganha um importante reconhecimento, o que agrega valor na hora de vender seus outros trabalhos.

3. TRAJETÓRIA DO ARTISTA

A participação do artista nas exposições de maior destaque do mundo, assim como as residências que ele já fez, as obras públicas que assina e sua popularidade são determinantes para o valor de uma obra. Rankings anuais que revelam as personalidades mais importantes do cenário das artes internacional também são decisivos. Por outro lado, quando o artista morre também é natural que o valor de suas obras aumente gradativamente – afinal, fica cada vez mais escasso o número de obras colecionáveis assinadas por ele.

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4. O RECONHECIMENTO DA GALERIA QUE REPRESENTA O ARTISTA

Galerias mais requisitadas, com uma lista fiel de colecionadores fixos, que participam de feiras ao redor do mundo e ajudam o artista a fazer parte de coleções institucionais normalmente custam mais caro.

Assista ao vídeo: “Qualquer pessoa pode frequentar uma galeria de arte?”

5. FEIRAS

Como qualquer mercado, as feiras também têm o efeito de oferta e demanda: se um artista vendeu todas as suas obras em determinada feira, o valor das outras obras assinadas por ele também pode vir a aumentar.

6. AUTENTICIDADE DAS OBRAS

Se um artista não é mais vivo, não é tão simples dizer qual trabalho é ou não de sua autoria. Dependendo da confusão, isso pode fazer oscilar os preços das obras nas galerias e leilões. Por isso, ter o certificado de autenticidade do trabalho é tão importante. Esta regulamentação agrega valor às peças. Alguns artistas, como Leonilson e Volpi, ganharam catálogos raisonné nos últimos anos – uma forma confiável de listar todas as obras feitas por estes artistas, diminuindo a chance de comercializar obras falsas.