O que é arte contemporânea?

“Contemporânea” mais parece um sobrenome complicado que chega a dar frio na espinha de muita gente. Misturado com “arte”, então, vira um palavrão tão longo que parece entrar em campos de conhecimento cabeludos como “física quântica” ou “literatura comparada”, em que só um expert no assunto sabe exatamente o que as expressões podem significar.

Agora, simplificando: a verdade é que arte contemporânea é exatamente igual à arte atual. Tudo o que é produzido hoje faz parte desse grupo. Desde pintura e escultura – suportes clássicos das belas artes – até performance, videoarte e instalação – expressões mais recentes das artes visuais. Qualquer manifestação que um artista cria hoje em dia pode ser intitulada como arte contemporânea.

Instalação Torqued Ellipses, de Richard Serra, no Dia Beacon, em Nova York (Foto: Julia Flamingo)

EFEITO DE DIDÁTICA

Assim como vários conceitos na história, esse nome foi criado por acadêmicos com o simples objetivo de separar cronologicamente o movimento das artes visuais. Assim, eles também criaram um nome generalizando os movimentos de vanguarda até o começo do século XX, intitulando as obras produzidas entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX de arte moderna. Isso tudo para tornar a história mais didática.

DA ARTE MODERNA PARA A CONTEMPORÂNEA

O que difere mesmo a arte moderna da contemporânea para além das questões técnicas é como a obra se comunica. Numa pintura moderna, uma narrativa é contada dentro da moldura daquele quadro; ou seja, seu espectador tem indícios suficientes para criar uma historinha que lhe faça sentido. Já na arte contemporânea, um trabalho é raramente explicativo em si. Por isso, ele muitas vezes demanda de uma explicação do artista, de um texto, de um educador ou de uma conversa para que o espectador entenda qual história aquela obra está contando. Isso acontece porquê a arte contemporânea está sempre em diálogo com assuntos presentes – sejam eles afetivos, políticos, sociais ou estéticos.

ONDE TUDO COMEÇOU

Os estudiosos da arte definiram o início da arte contemporânea com o mictório de Marcel Duchamp, criado em 1917. Até então, uma pessoa só era reconhecida como artista no mundo acadêmico se ela criasse pinturas e esculturas. Nos movimentos de vanguarda – surrealismo, impressionismo, expressionismo e outros incontáveis ismos – o que era mais importante era o resultado final de obra, depois de um artista trabalhar manualmente durante dias, meses ou anos em cima da sua obra-prima. A sacada de Duchamp foi considerar que a idéia – e não o suporte – era o primordial numa obra.

Duchamp não só virou o mictório ao contrário para fazer dele sua obra-prima, como também virou de ponta cabeça todas as regras do que se entendia por arte. Desde então, uma obra deve ser considerada pelo seu conceito, ideia e relação com o mundo e não mais apenas pela sua forma, material e estética. Por isso, é normal não “entender” uma obra. Mais normal ainda a considerar cabeçuda demais. O BIGORNA oferece todas as ferramentas para que você possa entender e desvendar esse universo.

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