Publicação sobre arte ou de arte? Conheça a Dose e entenda a diferença!

Pense num livro ou revista não como um suporte para escrever ideias ou páginas para registro fotográfico de outros trabalhos – uma publicação sobre arte – mas como um objeto por si só, algo parecido com uma escultura – uma publicação de arte. Depois dessa sacada, as possibilidades são infinitas; com ou sem páginas em branco, o livro oferece um universo para produções artísticas das mais criativas:

Foto do trabalho de João Pedro Trindade para a segunda edição da Dose
Foto do trabalho de Mariana Vilanova para a segunda edição da Dose

DOSE CERTA

Se uma publicação pode ser uma obra de um artista, ela também pode ser uma mostra coletiva. Essa é a ideia da revista portuguesa Dose, que é uma exposição feita em algumas páginas. Ela foi criada por quatro jovens que fizeram faculdade de artes na cidade do Porto, em Portugal, e percebem que existe uma quantidade muito maior de bons artistas do que espaço para expor seus trabalhos.Cristiana Oliveira,Margarida Oliveira, Maria Von Hafe e Mariana Rebola publicam uma exposição impressa a cada seis meses: para as páginas da Dose, elas convidam 12 artistas, em sua maioria portugueses (mas não só) e em início para meio de carreira (o que também não é regra).  “Aqui em Portugal acontecem coisas muito boas e queremos mostrar isso! A Dose acabou virando um pequeno arquivo dos artistas da nossa geração”, conta Margarida, generosa artista de 23 anos que divide com as outras meninas as tarefas de selecionar os artistas para cada edição, visitar os ateliês e acompanhar a produção. Depois, elas negociam com algumas bancas de Portugal a venda das revistas – quem topa vender, claro, são as menos tradicionais.

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DOSE DUPLA

Cada edição semestral é impressa numa única cor. A recém-lançada segunda edição tem tons azuis, e a primeira foi preta (não é nenhuma escolha curatorial: imprimir em uma cor só sai mais barato, e o fato das meninas não esconderem a real razão dá ainda mais graça ao projeto). Cada artista convidado recebe a tarefa de criar trabalhos exclusivos para ocuparem seis páginas da revista (a chamada obra comissionada), sempre pensando na cor da vez. Além disso, os selecionados também produzem um segundo projeto, especialmente para a versão online da revista (isso sim é revista online! Confira os trabalhos aqui). Assim, eles também podem explorar as ferramentas de áudio, vídeo, fotografia e o que mais der na telha.

É DOSE, VIU!

A revista não tem um único texto ou opinião: a ideia é que o leitor-espectador tenha sua experiência estética particular e genuína. E isso pode acontecer em qualquer lugar, não precisa ser dentro do museu ou da galeria, mas também no sofá de casa. Outro benefício desta escolha é que coloca os artistas como protagonistas do projeto. “É sobre os artistas que estamos falando, não sobre nós e o que achamos sobre sua produção. Numa exposição, os artistas são deixados por últimos quando eles, na verdade, deveriam ser os mais importantes!”, conta Margarida. Pode soar esquisito, mas muitas vezes, o artista fica ofuscado perto da figura de curadores, galeristas ou críticos. É dose, mas é bem comum!

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