Saiu a lista dos 100 mais influentes no mundo das artes: saiba quem você deve ficar de olho

É divertimento certeiro para quem acompanha o mundo das artes durante todo o ano poder ver, no mês de novembro, a lista das 100 pessoas mais influentes deste universo – mesmo que se saiba o quão impossível é medir isso ao certo. O ranking é feito pela revista britânica ArtReview, que acaba de lançar a 17a edição da Power 100 (pouco depois da pesquisa dos 500 artistas mais promissores de até 40 anos terem sido ranqueados). O BIGORNA escolheu alguns destaques entre os 100 nomes para você ficar de olho:

A Subtlety, or the Marvelous Sugar Baby, de Kara Walker, numa fábrica de açúcar em Brookly, Nova York, em 2014 (Foto: Sofia Saleme)

NENHUMA SURPRESA

O primeiro colocado da lista é David Zwirner (@davidzwirner). Ele construiu um verdadeiro império da galeria que leva seu nome e completa 25 anos em 2018. Seus espaços estão espalhados por Nova York, Londres e Hong Kong e representa 60 artistas, no patamar de Yayoi Kusama (número 16 da lista) e Wolfgang Tillmans (11).

É claro que artistas como o chinês Ai Weiwei (5) e Marina Abramovic (74) integram o ranking. Na seleção do BIGORNA, porém, vale citar pessoas que você talvez não conheça, mas são importantes para o seu repertório: diretor da Serpentine Galleries, o curador suíço Hans Ulrich Obrist (7) é viciado em entrevistas e tem textos e mais textos em conversa com artistas, curadores, arquitetos e designers. Vale a pena ler a série publicada pela editora Cobogó. A americana Nan Goldin (18) fez trabalhos marcantes na década de 1980 sobre o submundo de Nova York e este ano comprou uma briga com ninguém menos do que a família Sackler, empresários da indústria farmacêutica, depois de ficar viciada no analgésico OxyContin. Ela alega que a publicidade agressiva pode ter causado a morte de 200 mil pessoas. Também não deixe de acompanhar o trabalho do americano Theaster Gates (30), que compra prédios abandonados para fazer centros comunitários.

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BOA SURPRESA

A terceira colocação ficou para o movimento viral #metoo, em que diversas mulheres denunciaram abusos sexuais em ambientes de trabalho. A hashtag causou uma mudança dramática nas relações de poder, fez cair diversos homens celebrados no meio das artes e mostrou a força da união feminina.

ARTE NEGRA NO TOPO

O segundo colocado é um artista – não o Damien Hirst nem Jeff Koons (que nem na lista estão!) – mas o americano Kerry James Marshall. O pintor bateu o recorde do artista negro vivo mais caro: a pintura Past Times, de 1997, foi adquirida por 21.1 milhões de dólares num leilão. Seus quadros contam narrativas visuais ligadas aos direitos dos negros nos Estados Unidos. Ele sempre exagera a cor preta dos seus personagens como a também americana Kara Walker (50), que assina a imagem de capa da revista. Ela assinou A Subtlety, or the Marvelous Sugar Baby, esfinge de 40 toneladas de açúcar com traços de uma mulher negra, numa antiga fábrica de açúcar no Brooklyn (veja foto acima).

Também vale citar o britânico de origem ganesa John Akomfrah (94), fundador do Black Audio Film Collective, que produz audiovisuais como Purple, em cartaz no Museu Coleção Berardo, em Lisboa. A obra exibida em seis grandes telas foi filmada em 10 países e reúne também imagens de arquivo para compor um atlas visual do poder destrutivo do homem.

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BRASILEIROS NA LISTA

Dois lugares foram ocupados por brasileiros: a galerista paulistana Luisa Strina (79), que integra o ranking desde 2012 por conta da poderosa galeria que leva seu nome. O espaço que completa 44 anos (é a mais antiga galeria de São Paulo), construiu carreiras dos maiores artistas brasileiros como Cildo Meireles, Lygia Pape e Anna Maria Maiolino. Já os galeristas Felipe Dmab, Pedro Mendes e Matthew Wood (98) comandam a galeria Mendes Wood DM, que leva a São Paulo trabalhos experimentais de artistas de todo o mundo.

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