Quem são os artistas mais promissores do mundo e o que eles fizeram de tão certo?

Não precisamos de muito para perceber que o número de artistas cresce incontrolavelmente: é cada vez maior as opções de faculdade de arte e a quantidade de alunos que ali se formam anualmente; galerias não param de inaugurar e lançar novos artistas; só aumenta o número de iniciativas de jovens que, por falta de espaço no mercado, tentam criar o seu próprio. Quem, entre essa quantidade infindável de artistas, são os nomes mais promissores do mundo? E o que eles fizeram de tão certo para se destacar?

"Suar a camisa", de Jonathas de Andrade, exposto na Galeria Vermelho, em 2016 (Foto: Julia Flamingo)

OS CRITÉRIOS

Como estas perguntas não têm respostas exatas, de vez em quando sai um estudo ou ranking do mundo da arte que acabam sendo um bom termômetro. No último mês de outubro, o Nextgen Artists (resultado da parceria entre a corretora Jardine Lloyd Thompson e a ArtTactic) lançou uma pesquisa mundial do ano de 2018 indicando os 500 artistas de até 40 anos mais promissores do globo. O estudo é baseado pilares do universo da arte: exposições importantes em grandes museus e galerias; participação de sua obra em coleções particulares e institucionais relevantes; prêmios; participação em bienais de arte; representação de uma galeria; representação em feiras de arte; presença em leilões; e presença nas mídias sociais. Guarde esta lista: ela vai te ajudar sempre para acompanhar os (loucos) critérios do mercado de arte.

SUCESSOS DE VENDA

As vendas dos leilões da Christie’s e Sotheby’s, os mais importantes do mundo, mostram como o mercado da arte contemporânea esquentou bastante nos últimos anos. Se, em 2000, as casas venderam 270 milhões de dólares, no ano passado elas comercializaram ao todo 3,3 bilhões de dólares em obras de arte contemporânea. Antes, os pregões de maior sucesso eram os de artistas clássicos e modernos. Hoje a arte contemporânea já ganha disparada no que concerne a preferência dos clientes endinheirados. E, diferente do que se pode pensar, artistas jovens contribuem muito para esse mercado borbulhante!

E O QUE SE DESCOBRIU COM A PESQUISA?

De onde os eles vêm: 33% dos 500 artistas mais promissores do mundo são europeus, enquanto 29% nasceram nos Estados Unidos. Quanto à cidade: 24% desses artistas são de Nova York.

Eles mudam de país: 40% dos artistas mudou de país para estudar. Na parcela dos latino-americanos, 35% se mudaram para os Estados Unidos, enquanto 31% mora e trabalha na Europa.

Estudos importam: 95% desses nomes têm bacharelado ou mestrado.

Galerias de artistas jovens também: 60% dos 500 artistas são representados por galerias “incubadoras”.

Diferença de gênero ainda existe: enquanto 54% dos artistas mais promissores são homens, apenas 46% são mulheres.

Redes sociais estimulam vendas: 79% dos compradores com menos de 35 anos de idade usam o Instagram para descobrir novos artistas

São Paulo aparece!: Entre as cidades que mais têm galerias que representam esses artistas promissores está a capital paulistana (depois de Nova York, Londres, Berlim, Paris, Los Angeles e Bruxelas)

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OS NOMES, FINALMENTE

Os primeiros cinco artistas promissores deste estudo são a nigeriana Njideka Akunyili Crosby (@njidekaakunyilicrosby), a francesa Camille Henrot, o americano Jordan Wolfson (@jordanmatthewwolfson), Jonathas de Andrade (@jonathas_de_andrade) – o único brasileiro entre os 500 artistas! – e a polonesa and Alicja Kwade (@alicjakwade). Depois dessa, seus trabalhos devem valorizar, assim como deve aumentar o número de colecionadores e instituições importantes que desejam tê-las em seus acervos.

CONHECE O JONATHAS DE ANDRADE?

Nascido em Maceió, o artista de 36 anos tem como principal suporte a fotografia e o vídeo, que ele usa como ferramenta para uma pesquisa voltada à antropologia. Museu do homem do Nordeste é sua obra mais famosa: um conjunto de ações feitas a partir de anúncios em jornais que recrutavam pessoas para tirarem fotos. Quando participou da 32ª Bienal de São Paulo, Jonathas apresentou a chocante O peixe, vídeo que registra o ritual fictício de uma vila de pescadores que abraçam os peixes depois de os pescar (assista um trecho aqui). Em Suar a camisa (na foto acima), ele abordou mais de 100 trabalhadores ao final do expediente para negociar seus uniformes.

O que ele fez de tão certo? Ele não vem da Europa ou Estados Unidos, como indica o estudo, e não mudou de país para estudar e trabalhar, mas vive em Recife. É representado por uma ótimas galerias em São Paulo (Galeria Vermelho), Nova York (Alexander and Bonin) e San Giminiano (Galleria Continua), porém têm muitos trabalhos difíceis de serem comercializados. Esta pesquisa é interessante; mas Jonathas é prova viva que guia para o sucesso não existe. Só muito esforço com talento e sorte.

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